quarta-feira, 2 de abril de 2014

A procura de inspiração.



Onde está minha inspiração?
Cadê os cacos de mim, formando palavras?
Eu sou um quebra cabeças complicado.
Sempre alguém se interessa em me decifrar,
junta peças, perde dias tentando,
perde noites de sono,
mas não desiste de descobrir o mistério desse quebra cabeças.
Eu adoro dominar uma mente,
estar no foco, invadir a vida dos outros.
Dou trabalho, me bagunço muito.
Desperto curiosidade, instigo os instintos.
Mas chega uma hora em que acabo por ser desvendada.
E qndo todas as minhas peças se encaixam,
a brincadeira perde a graça,
e acabo sendo trocada por um brinquedo mais interessante,
um novo brinquedo, um novo mistério...
Por que eu vicio as pessoas em mistérios,
em histórias intensas, em sangue fervendo nas veias.
E qndo acabo por ser deixada de lado,
como quando a criança cresce e não se importa mais
com suas brincadeiras,
eu acabo por me desmontar inteira,
e novamente viro um enigma,
um quebra cabeça misturado,
cheio de peças por todas as partes,
cacos de histórias e momentos.
Uma bagunça, um mistério.
E novamente a espera de um novo Dono,
a quem possa moldar todas as peças,
me colocar no lugar, e em troca,
eu ofereço uma explosão de sentimentos.
Todos eles ao mesmo tempo.
Certas coisas nem eu mesma entendo,
ainda estou me decifrando.
Eu sempre preciso de uma nova inspiração
para continuar...


  (Nanda Assis)

2 comentários:

Ronilda David/Loubah Sofia disse...

É isso mesmo Nanda,tem dias que nossa mente é uma folha em branco e em outros parece que mal cabe o que vai pela alma.

Tens muita energia,muita vida,vida que vibra,pulsa alegria, curiosidade,e sobretudo o dom da partilha, da doação de si e isso é belo e faz-te única em um mundo tão centrado em si mesmo.

Raramente na pressa do tempo as pessoas querem parar dois segundos para ouvir,dar atenção ao outro e cada vez mais a humanidade distancia-se e despedaça-se.

Apreciei ler-te os desbafos do coração,tua poesia tem grande intensidade.

Meu abraço,tenha um lindo dia.

brisonmattos disse...

E por sempre precisar dessa "nova" inspiração, você acaba repetindo as mesmas fórmulas e deixando as velhas pessoas de lado. Aquelas que um dia te amaram muito.